segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Um homem despedaçado

Bem sei que é um vídeo antigo, bem sei que é o Claudio Ramos, mas as palavras não podiam ser mais certas.

Quem fala assim, sabe do que fala. Quem fala assim, não leu sobre o assunto. Quem fala assim, morreu um pouco por dentro.

Porque me identifico com cada uma daquelas palavras, subscrevo inteiramente este vídeo.

Que nunca tenha de passar pelo mesmo outra vez. Nem ele nem eu.


domingo, 22 de outubro de 2017

Com as calças na mão

Cenário:
Conhecida capital Europeia, mês de Agosto, 35 graus à noite.

Solteiro chega a sua casa exausto depois de uma semana a viajar.
É sexta-feira, são 23:45 e acabo de aterrar. O motorista espera-me para me levar a casa.

Depois de uma semana fora de casa em que visitei 3 países, reuni com dezenas de pessoas e consegui o meu objectivo à custa de pouco mais de 2 horas de sono por noite, chego a casa e tomo 1g de alprazolam. Só quero assegurar uma boa noite de sono e sem insónias.

É Agosto e o apartamento está tão quente como a sauna do diabo.



Tiro toda a roupa e meto-me na cama - por cima dos lençóis. É impossível respirar, mesmo com o ar condicionado no máximo.

Acordo sábado pelas 10:30. Depois do sono revigorante, dirijo-me à casa de banho (ainda nú) e grogue do alprazolam.

Com a porta da casa de banho aberta, faço o famoso xixi matinal que dura aproximadamente 26 minutos.



E solto um sonoro PEIDO (do qual confesso me orgulhei)!



Dirijo-me ao espelho para lavar a cara e os dentes e oiço o vapor do ferro de engomar e uma voz feminina a cantarolar por casa.

Porta da casa de banho imediatamente fechada, saio com uma toalha enrolada à volta da cintura e dirijo-me à casa das máquinas. Encontro lá a minha empregada a engomar alegremente enquanto murmura o “Chama o António”.

- D. Fernanda, bom dia. Não sabia que vinha hoje.
- Menino Solteiro desculpe mas como não consegui vir na quarta-feira e o menino andava por fora, decidi vir hoje.
- Pois quando for assim avise que eu não sabia e podia não me dar jeito que a senhora viesse a um sábado. Por acaso estou sozinho mas podia não estar...
- Uuuuui menino, não se preocupe que eu já ouvi de tudo. ‘teja descansado que isso não foi nada comparado com os do meu Alberto.




Volto para a cama. Tomo mais um calmante para não ter uma apoplexia...
Ao menos tenho camisas passadas e meias dobradas.

sábado, 21 de outubro de 2017

Inspira, expira, fecha os olhos...

Quando dizes a ti mesmo, vezes e vezes sem conta: "É só um pensamento, não é a realidade. É só um pensamento, não é a realidade. É só um pensamento, não é a realidade." e chegas ao fim do dia exausto de corpo e alma.

Exausto porque o medo não cessa. Exausto porque és um lutador e a última coisa que te passa pela cabeça é a palavra DESISTIR, então lutas. Lutas contra um medo que te gela, um medo de algo que já não existe.

Do nada, o peito gela. Porque teimas, coração, em tremer no tenebroso tremor face à possibilidade de perder o amor que te preenche na sua plenitude?

A imagem da minha amada na cama com outro homem. Um fuck-boy de barba, corpinho bem feito e um verdadeiro sex guru. A imagem distorcida que tenho deste homem que já saiu da vida dela porque ela me escolheu a mim, tendo terminado tudo com ele muito antes de nós termos algo sério.
A imagem da minha amada no sofá, aos beijos com ele. Íntimos...
A imagem constante na minha cabeça de que ele pode simplesmente estalar os dedos e levar de mim tudo o que neste momento me dá calor e conforto, é algo que dói.
Dói porque sei que não é real, dói porque não consigo evitar este flash que insiste em surgir à mínima oportunidade que tem.

Não julgo o passado dela, nem os parceiros que teve. Eu também tive a minha quota-parte de aventuras e não condeno ninguém. Nenhum dos ex dela me preocupa ou assusta, mas este fuck buddy que ela teve, não me sai da cabeça. Por horas a fio...

Chamo a estes os pensamentos "ladrão". Winston Churchill tinha o seu "cão negro" que era a personificação da sua depressão.

Eu, que não me fico atrás de qualquer mente brilhante que se preze, tenho um ladrão... mais ou menos assim:


Bem sei que o texto não é coerente. Não era para ser, eu apenas precisava de escrever algo para tentar derramar o que me faz sangrar a alma. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ironia

Entro num supermercado num bairro de Bucareste e esta rua em particular é conhecida pela prostituição.
Música que toca dentro do supermercado:
"put it in your hand... kiss it real hard..."
Se isto não é mindfulness na sua plenitude, não sei o que será.

sábado, 14 de outubro de 2017

Medo

Quando me dou conta, os dentes estão cerrados. Nem me apercebi, mas as mãos estão geladas, tanto que doem. O corpo deixa de responder, os membros paralisam.

O corpo gelado entra em pausa e nem a voz sai.
Na minha cabeça, uma sucessão de pensamentos que se atropelam para tomar o palco no meu cérebro e ser o centro das atenções.

Como viver um pesadelo acordado, de nada adianta afastar os maus pensamentos, ser lógico ou fazer qualquer exercício que seja: na minha cabeça, todos os pensamentos dizem que vou perder tudo. Na minha cabeça, as coisas mais ridículas tomam proporções enormes e uma realidade assustadora.Têm sido assim os meus dias, entre crises de pânico e lidar com sentimentos que magoam, não tenho tempo para desfrutar do que a vida me dá.

Diz a terapeuta que tenho Pure-O: uma condição derivada de um transtorno obsessivo compulsivo que me faz ter pensamentos constantes contrários àquilo que mais desejo: ter amor, ser amado incondicionalmente e não ser magoado. 
É precisamente o contrário: sinto medo de todos os homens, sinto medo de que a minha namorada (sim, tenho uma namorada agora) me traia, me minta, me abandone, me magoe para além do que eu já sofri no passado com a C.

É um medo tal que eu me sinto como aqueles veteranos de guerra que mal ouvem um estalo, procuram abrigo ou entram em pânico de tal forma que têm as reações mais inusitadas.
Eu, que sempre lutei com todas as forças face à adversidade, enfrento agora uma doença invisível, incompreendida e incurável. E não sei o que fazer.

Faltam já as forças, apoio-me na família e amigos mas sei que esta condição é devastadora para o doente e todos os que o rodeiam. Falta a paciência e falta conhecimento sobre a doença.

Refugiar-me-ei na escrita, enquanto aguentar.

Algo me diz que este blog verá dias muito sombrios...